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Casal bulgaro reclama aquilo que é seu

A intervenção a mando da CML no dia 6 de Dezembro de 2019 obrigou o casal bulgaro a deslocar alguns metros os seus pertences para um sitio mais discreto. Foto: 8/01/2020

Quem passa pelo cruzamento entre a Av.gago Coutinho e a Av.dos EUA não deixar sobre o motivo de tanta quantidade de tralha que ali se encontra. Pertencem a um casal de bulgaros (Georgi Georgiev e Lyubka Kutteva), cujas quatro "casas" foram demolidas pela CML, a 2 de Maio de 2019, no sítio da montanha da Quinta da Noiva. Não pretendem abandonar o local enquanto não lhes for dado o que era seu.

Recanto onde vivia o casal bulgaro com seis gatos e um cão (Fotos:2/12/2019)

A história começa em Fevereiro de 2003, quando este casal chegou a Portugal. Acamparam durante algum tempo na zona de Alcantara, até que alguém lhes disse que na freguesia de Alvalade haviam terrenos propícios à sua instalação. No sítio da "montanha" da Quinta da Noiva, na Avenida Gago Coutinho, construiram aqui a sua primeira casa e um armazém. Dedicavam-se à procura de sucata, retirando-lhes os componentes vendáveis. Criaram uma horta, onde se abasteciam de tudo o que a terra dá.

A CML destruiu-lhes em 2010 as "casas" que entretanto haviam construído. Voltaram a construir novas casas, agora com dimensões mais amplas, para albergarem também 60 e tantos gatos, fora os cães. A CML em 2015 voltou à carga e destruiu-lhes de novo as casas. Dando mostras de grande resiliência, construiram desta vez quatro casas, uma para habitação e quatro para armazém. Eís quando, a 2 de Maio de 2019, a autarquia resolveu arrasar tudo. Grande parte daquilo que não conseguiram "salvar" foi considerado lixo pelos funcionários camarários, incluindo um biblia em bulgaro (herança familiar).

Plantas das quatro casas destruídas em Maio de 2019 pela CML.

O que reclama este casal ? O terreno que a CML lhes retirou. Pertence-lhes porque o ocuparam, nele viveram e investiram na construção de quatro casas. Reclamam que lhes devolvam o "lixo" que lhes roubaram, porque transformam em dinheiro. Não pretendem abandonar o lugar enquanto não for dado o que lhes pertence.

A questão não nova na freguesia de Alvalade, muito pelo contrário. No "Bairro das Caixas" ou no "Bairro de S. João de Brito", para darmos apenas dois exemplos, houve também uma ocupação ilegal de terrenos municipais. Continuam a ser neles construídas "casas" (habitações, garagens, armazéns, oficinas, depósitos, etc) e "quintais murados" que os seus ocupantes afirmam-se legitimos proprietários. O casal bulgaro no fundo quer ter o mesmo tratamento que a CML tem dado a outros moradores na freguesia.