Jornal da Praceta

FUNDADO EM JUNHO DE 2001

Informação sobre a freguesia de Alvalade

( Campo Grande, São João de Brito e Alvalade)

EDITORIAL

 

 

 

Tempos de Pandemia

Em tempos de confinamento social por que não falar do tempo? Sabemos que todos os tempos são sempre tempos de oportunidades. Como estamos a aproveitar estes tempos? Convém desde já referir que estamos a falar do Tempo e não da duração medida pelos nossos relógios, registada nos anais e que o mundo físico no permite registar segundo as nossas convenções.

De que falamos quando falamos do tempo ? Em primeiro lugar estamos a falar das nossas percepções: as coisas à nossa volta e nós próprios mudamos. Tudo está em constante mudança, como dizia Heraclito. Mas o que é o tempo?. O tempo vivido, o único que de facto podemos falar é um ponto intermédio, um agora, sempre em constante mudança, entre um antes e um depois. O antes é o passado que só existe nas nossas memórias pessoais ou colectivas, sujeito a infinitas reelaborações, porque este tempo já não existe, mas sem memória não havia tempo. O depois é o futuro, igualmente inexistente mas sobre o qual não deixamos de projectar as nossas vidas e realizações. Fazemo-lo com tanta convição e trabalho que nem nos apercebemos que podemos nunca vir a viver esse tempo. Pouco importa, pois sem a ilusão deste tempo nada faria sentido.

Nem todos vivemos o tempo na mesma maneira nem sequer temos do tempo o mesmo entendimento. O modo como vive e interpreta do tempo é distinto para um cristão ou um budista, um cidadão livre ou um preso, o que vive no campo ou na cidade. O tempo que estamos a viver em confinamento social é muito distinto das vivências que tinhamos antes deste tempo.

Como aproveitamos o nosso tempo?.

Aquilo que os filósofos recomendam é que façamos deste tempo um tempo reflexão, de descoberta de nós e dos outros, de partilha de saberes e contributo dentro das nossas capacidades e meios disponíveis para melhorar as condições de vida colectivas. É um tempo estimulante para refletirmos sobre a fragilidade da vida humana, as desigualdades no mundo, os erros que tem sido cometidos e a forma como os podemos vir a corrigir. Os filósofos propõem, em suma, o aproveitamento das oportunidades que este tempo nos podem proporcionar para nos expandirmos.

Não é uma tarefa fácil de ser realizada, o tempo de confinamento social está mais propicío à ansiedade, ao receio de ser contagiado, ao medo de ficar sem meios de subsistência, ao conflito, fadiga ou ao adormecimento social provocado pela inação. Como sempre a escolha é nossa.

Da Importância do Civismo

A grande lição que podemos aprender da pandemia do Covid-19 é que sem civismo as sociedades estão condenadas a viverem situações de calamidade pública, a mergulharem no caos. A propagação do vírus a nível mundial, como está demonstrado, depende em grande medida do comportamento cívico dos cidadãos. A atitude cívica é inseparável da ética, isto é, de uma acção norteada por princípios que livremente o individuo escolheu para se relacionar com os outros. "Não faças aos outros aquilo que não queres que te façam a ti", é não apenas um princípio ético universal, mas também um princípio cívico. Não devo colocar o meu vizinho em risco, porque não gostaria que ele o fizesse a mim. Ninguém consegue sozinho resolver os problemas que enfrenta uma sociedade, mas cada um com o seu comportamento pode contribuir para os resolver ou agravar. A consciência da necessidade do apoio-mútuo (entreajuda, cooperação, solidariedade), sabiamente evidenciado por P. Kropotkine, é a base de uma sociedade organizada. Uma condição indispensável para o seu desenvolvimento harmonioso.

A situação de pandemia tem sido agravada por um sistema de saúde submetido á lógica capitalista de rentabilidade imediata que descurou a prevenção, porque não é lucrativa. O sistema público o único que está a dar uma resposta efectiva à pandemia, neste contrexto, mostrou também as suas fragilidades. Foi descurado por políticas neoliberais que os eleitores sufragaram. As necessidades colectivas foram secundarizadas face aos interesses de grupos privados. O egoismo falou mais alto.

O civismo nas nossas sociedades é uma atitude quotidiana dificil de ser sustentada. Diariamente a publicidade dos mais variados produtos exalta sem cessar o individualismo e o nascismo exacerbado. O cidadão é induzido a gir apenas em função de si próprio sem pensar nas consequências dos seus atos para Outros, a comunidade de que faz parte.

A consciência cívica forma-se não é inata. Não admira que muitos sejam os que não a desenvolveram independentemente da nacionalidade, etnia, estatuto social, género ou idade. Deve ser sancionado o não respeito das regras de civismo, mas a repressão tem limites no seu alcance social. Por outro lado, não é possivel haver um polícia a vigiar o comportamento de cada cidadão. A única saída possivel é insistir na formação cívica dos cidadãos, a chave para a uma sociedade equilibrada capaz de enfrentar com sucesso esta e outras crises.

O que se está a pedir a cada um de nós? - Pequenas coisas no dia a dia. Nada que seja transcendente mas que tem consequências relevantes para a comunidade: manter a distância social, lavar as mãos, manter-se em casa... É nestes pequenos gestos que assenta e se revela o civismo de cada um.

Recomendamos a leitura: Curso de Educação para a Cidadania

O Bairro de Alvalade não é Alvalade

Desde 2013 tem vindo a impôr-se um discurso político centralista e hierárquico na nova Freguesia de Alvalade. O Bairro de Alvalade nos limites definidos por Faria da Costa tornou-se na única referência com algum significado na freguesia.

Os antigos territórios que foram agregados na atual freguesia têm sido esvaziados da sua identidade própria. A tentativa para valorizar a inovação urbanística do Bairro de Alvalade acabou por uniformizar, empobrecer a diversidade de lugares na freguesia esquecendo memórias, património, relações de vizinhança, sistemas de economia locais, espaços agroflorestais e equilíbrios hidrogeomorfológiocos que os singularizam.

Não está em questão a importância histórica, artística e humana do Bairro de Alvalade mas a forma redutora de pensar a diversidade de um território mais vasto. Um discurso focado apenas num espaço compartimentado tende a desligar os moradores de outros territórios da freguesia das suas referências e bens comuns. A consequência imediata é a anomia social, o desligamento dos moradores dos bens comuns, diminuindo a sua participação cívica.

Um morador da zona das antigas Quintas Fonsecas e Calçada dificilmente se identifica como o Bairro de Alvalade. As memórias locais são outras, assim como os bens comuns.O território da antiga freguesia do Campo Grande (paróquia dos Santos Reis Magos) é um exemplo desta visão redutora. Desapareceu do discurso político a sua personalidade própria, repleta de memórias corporizadas em muitas edificações. O mesmo poderiamos dizer do Pote d´Água ou da Cidade Universitária.

Se não queremos assistir ao desastre provocado pela urbanização massiva, onde impera o desligamento entre a população e o território, é preciso inverter esta trajectória. É urgente, como escreve Alberto Magnaghi (A Bioregião Urbana. Pequeno Tratado sobre o Território, Bem Comum) recuperar nas nossas cidades o conceito de lugar na sua complexidade, redescobrir em microterritórios as suas recordações, marcas identitárias, suscitando o encantamento, como atos fundamentais da reconstrução da vida comunitária a partir do reconhecimento dos bens comuns.

" A Mais Bela Praça do Mundo"

Causou espanto esta afirmação proferida pelo arquitecto José Manuel Fernandes referindo-se à "praça" situada no cruzamento entre a Avenida dos Estados Unidos e a Avenida de Roma. As suas palavras foram proferidas numa sessão sobre o Bairro de Alvalade, no dia 23 de Janeiro, na Biblioteca dos Coruchéus. As suas razões eram muitas, mas não convenceram muitos dos presentes tendo em conta o aspecto atual da dita praça.

Os arquitetos José Manuel Fernandes e Jorge Luis Firmino Nunes na Biblioteca dos Coruchéus. O primeiro falou sobre a Obra de Jorge Segurado em Alvalade, o segundo sobre Faria da Costa e o Plano de Alvalade. Foto: 23/01/2020

A justificação que apresentou é conhecida e tem sido inúmeras vezes repetida. Este cruzamento nos anos 50 era uma obra de referência internacional. Filipe Nobre de Figueiredo e José Almeida Segurado, em 1951/52, conceberam um arrojado conjunto arquitetónico residencial multifamiliar, constituido por quatro blocos, no contexto do Plano de Alvalade. Em vez de prédios de quatro andares, temos blocos de 13 pisos, construiram os primeiros duplex, coberturas utilizáveis. De forma harmónica definiram uma praça, mas também de forma dinâmica o cruzamento de duas das principais vias que atravessam o Bairro de Alvalade, cuja construção se iniciara em 1947.

Imagem de uma praça que já não existe. Os edifícios envolventes estão também eles profundamente desfigurados.

José Manuel Fernandes justificando a sua afirmação mostrou o projecto original, assim como uma fotografia de 1953, onde podemos admirar as linhas modernas dos edificios, com as suas amplas varandas. A conversa situou-se sempre nos anos 50 do século XX. Falou sempre do passado. Apresentou inclusive imagens de um filme da Força Aerea Portuguesa dos anos 50 sobre o Bairro de Alvalade. Fez tudo isto sem nunca se referir ao estado presente destes edifícios que estão desfigurados, assim como a sua zona envolvente.

Não é uma situação única no Bairro de Alvalade, podemos mesmo dizer que é a regra. Está neste lote o celebrado Bairro das Estacas, erguido a partir de 1952, segundo um projecto de Ruy Jervis d`Athouguia e Sebastião Formosinho Sanchez, premiado na Bienal de São Paulo (1954), um exemplo inovador da carta de Atenas (1933). É hoje dificil imaginar a beleza arquitectónica que durante décadas surpreendia quem visitavao bairro.

A excelente arquitectura do Bairro de Alvalade parece estar condenada a viver apenas nas fotografias e desenhos feitos nos anos 50, imagens de um passado distante.

Apesar de tudo o plano de Faria da Costa para Alvalade continua presente nas suas unidades de vizinhança ( as antigas células), alguns equipamentos colectivos (escolas) e nos espaços verdes fazendo deste espaço urbano um local agradável para viver.

Gonçalo Ribeiro Telles, uma homenagem merecida

Lisboa é desde o dia 11 de Janeiro de 2020 oficialmente "Capital Verde Europeia".As metas a atingir estão definidas, assim como o compromisso público assumido pela Câmara Municipal de Lisboa. É hora de celebrar, trabalhar para as atingir, sem esquecer o passado. Muitos daqueles que hoje se apresentam preocupados com as alterações climáticas, no passado foram cumplices conscientes na destruição daquilo que agora afirmam procurar reparar. Não foi o caso do arquitecto Gonçalo Ribeiro Telles, apoiante deste a primeira hora de lutas do Jornal da Praceta.

Quando no final da década de 90, o bando de mafiosos que dominava a câmara municipal pretendeu destruir dezenas de jardins públicos para os transformar em parques de estacionamento encontrou em Gonçalo Ribeiro Telles uma voz discordante. Os "maluquinhos dos automóveis" aliados aos especuladores imobiliários pretendiam transformar a cidade numa sucessão de gaiolas de cimento armado implantadas no meio de parques de estacionamento.

Na negociata que estava em curso, desde 1997, e que envolvia a destruição do Jardim da Rua José Lins do Rêgo, mostrou-se disponível para apoiar os moradores em reunião havida no seu atelier.

Perante a apropriação privada dos logradouros e o caos instalado no chamado "Bairro das Caixas" publicou com Fátima Leitão, em Novembro/Dezembro de 1999, no Boletim da Direção Municipal de Planeamento e Urbanística, um importante estudo, onde não apenas denuncia a situação, mas apresenta alternativas para a sua requalificação.

O conhecimento e visão de futuro que sempre manifestou tornaram-no numa referência obrigatória quando se fala hoje de ecologia, mas também de cidadania. As metas que a CML acaba de assumir têm a marca de Gonçalo Ribeiro Telles. Lamentamos o mesmo não tenha sido ouvido há mais tempo, ter-se-ía evitado tanta destruição na cidade com as consequências que hoje são reconhecidas.

Alvalade: Território de Saberes

Não existe nunhuma freguesia em Portugal com três universidades, um instituto universitário, e com tão grande número instituições culturais e científicas como Alvalade. Apesar disto, estas entidades não se articulam como um território onde estão inseridas. Ignoram com sobranceria a comunidade em que estão integradas.

Não foi à muito tempo que a dinâmica diretora da Biblioteca Nacional de Portugal, numa assembleia de entidades sediadas na freguesia, lamentava-se que os moradores ignoravam as exposições e os serviços prestados pela biblioteca. O mesmo lamento já o ouvimos a dirigentes da Torre do Tombo e a responsáveis por outras entidades públicas locais. O divórcio não é de hoje.

A antiga Junta de Freguesia do Campo Grande, durante décadas, encarou publicamente a Universidade de Lisboa como um estorvo. Chegou ao ponto de ignorar a sua existência num roteiro da freguesia que publicou. Após a unificação das freguesias (2013), abriram-se novas oportunidades para um visão integrada e potenciadora de todo o vasto território da freguesia.

A criação da Comissão Social de Freguesia de Alvalade-CSFA (2015) , assumiu como um do seus objectivos criar espaços de encontro entre as entidades locais, para um trabalho em "rede" em prol da comunidade. Estava criado um importante veiculo para potenciar uma ligação entre a comunidade local e as universidades. Por parte das universidades a ideia foi bem recebida, registando-se continuas adesões à CSFA por parte de Institutos universitários, associações de estudantes e organizações científicas e culturais sedidas em Alvalade. Os seus representantes proclamam publicamente que querem desenvolver projectos com e na freguesia de Alvalade. No entanto nada acontece.

Na verdade, o que aconteceu é que a CSFA fechou-se numa visão meramente assistencialista, sob a influencia da Santa Casa da Misericordia de Lisboa e da Casa Pia de Lisboa, afastando-se deste modo de uma visão mais abrangente e também necessária à freguesia. A afirmação de "Alvalade como um território de saberes", uma marca diferenciadora no contexto da cidade e do país, mais uma vez ficará à espera de um novo tempo e outras vontades.

A Prova de Fogo

José Borges, presidente da Junta de Freguesia de Alvalade, resolveu finalmente atacar a escandalosa ocupação iliegal dos logradouros do Bairro das Caixas, a poente e a norte da Escola Básica de Santo António. Da Câmara Municipal de Lisboa recebeu competências legais e recursos financeiros para o fazer. É a sua prova de fogo, numa altura que muitos são os que duvidam da sua capacidade de resolver problemas estruturais e não situações de cosmética.

Na reunião havida no dia 28 de Outubro de 2019 foi oficialmente apresentado o projecto de requalificação. Podia ter ido mais longe, mas seja como for é um bom princípio. A prova de fogo começa agora, quando tiver que passar das palavras aos actos.

Nos últimos 20 anos, temos assistido à apresentação de vários projectos de requalificação destes espaços, mas no terreno nada acontece. A ocupação ilegal tem prosseguido sempre, indiferente à propaganda da CML ou da Junta. Criou-se, como em muitas outras situações na freguesia, um sentimento de impunidade por parte do prevaricadores. A experiência mostrou-lhes que as autoridades que deviam velar pelo cumprimento das regras estabelecidas não o fazem, a sua única preocupação é não terem "chatices".

É por tudo isto que José Borges, à semelhança dos seus antecessores, será neste caso verdadeiramente posto à prova. Aguardemos pois. Mais

Nota: Na Sessão da Assembleia Municipal de Lisboa, no dia 12/11/2019, fizemos-lhes uma curta entrevista sobre o assunto e a sua posição foi clara: o que estiver ilegal será demolido. Mais

 

Fazer Planos e Concretizá-los

Nunca alimentamos grandes expectativas sobre a capacidade de ação do atual presidente da Junta de Freguesia de Alvalade. No entanto, tem-nos surpreendido em muitas situações. Nesse sentido, temos preferido esperar para ver em muitos casos. Um deles está nas "Opções do Plano" da Junta para 2018, quando se estabelece como meta a atingir:

"Continuar a requalificação dos logradouros do Bairro das Caixas, nomeadamente na envolvente à EB Santo António, Rua Afonso Lopes Vieira para a Rua Branca de Gonta Colaço (lado sul), Rua Alberto de Oliveira para a Avenida de Roma (lado sul) e Rua Fernando Caldeira (lado norte)."

O "projecto" não é novo, mas o facto de José Borges estar a assumi-lo não deixou de nos intrigar. Como é sabido, a EB Santo António está rodeada de lixo e construções (ilegais) abarracadas que ocupam terrenos camarários. Um processo de ocupação que continua ativo, à vista de todos os fregueses que por ali passam, e são muitos. A nossa questão, na altura, era a seguinte: -Teria José Borges coragem para levar para a frente semelhante obra? Resolvemos esperar, e confirmamos as nossas mais baixas expectativas. O ano de 2018 terminou e nada foi feito.

José Borges em vez de retirar das Opções do Plano tão ambiciosa obra, resolveu inclui-la nas Opções para 2019. O lixo em volta da EB Santo António continuou, assim como a ocupação ilegal de terrenos camarários, a barracaria prolifera. Estamos quase no final de 2019, e nada acontece no local

Estamos em crer que nas Opções do Plano da Junta para 2020 e 2021, na mesma rubrica irá aparecer o mesmo "projecto", a não ser que alguém lhe diga , que enunciar planos e concretizá-los são duas coisas diferentes.

Para que José Borges tenha uma ideia do que tinha que alterar para concretizar o seu anunciado plano, resolvemos publicar quatro fotografias, apenas do lado oeste da EB de Santo António.

As barracas e o lixo cercam completamente o lado sul da escola. Foto: 21/10/2019

Por este caminho esburacado, onde se amontoam carros e lixo, passam todos os dias crianças, pais e professores a caminho da escola. Ao fazerem este trajecto podem avaliar, melhor do que ninguém, o grau de concretização das "Opções do Plano" da Junta de Freguesia de Alvalade.Foto: 21/10/2019

Os espaços camários que existem vão sendo ocupados e vedados. A apropriação privada de espaços públicos é a regra.Foto: 21/10/2019

Se passarmos do lado sul para o lado norte da EB Santo António, o que continuamos a encontrar é lixo, , incluindo automóveis abandonados. Foto: 21/10/2019

Manutenção

Após quase uma ano na presidência da Junta é tempo de fazermos um primeiro balanço. José Borges tem-se limitado a concluir as obras iniciadas ou projetadas pelo seu antecessor. Não é mau que assim seja, até porque a tentação de deixar uma "marca", uma "obra" com cunho pessoal, conduz frequentemente a maioria dos políticos ao disparate, desperdício de recursos públicos e à confusão nos serviços.

Aquilo que sobressai neste primeiro ano de mandato é a limpeza das ruas, sobretudo nas artérias mais movimentadas. Em muitos outros locais da freguesia é impossivel fazer melhor, se tivermos em conta os hábitos incivilizados de muitos fregueses. No entanto a situação ainda não é vergonhosa, devido às campanhas de limpeza anteriores, dado que a quantidade de porcaria que se tem acumulado continua abaixo dos níveis atingidos no passado. É pouco ? Talvez, mas as expectativas nunca foram muito elevadas. José Borges não tem desiludido. Maio de 2019

Juventude ?

Quem observou José Borges, assim como analisou as referências que lhe foram feitas nos discursos, no dia 2/5/2018, aquando da sua tomada de posse como presidente da Junta de Freguesia de Alvalade não, certamente que reparou que a questão da idade foi o aspecto mais referido. Em surdina ouvimos vários comentários: É jovem demais, ainda não tem a experiência que o cargo exige. É mais um dos "boys" do PS. O que é que conhece de Alvalade ?, perguntavam alguns. O José Ferreira (tesoureiro da Junta), outro homem dos sete ofícios, esforçava-se por lhe dar indicações e o apresentar a alguns dos presentes.

José Borges, face a estes esperados comentários, trouxe consigo a familia, assumiu uma pose formal, cortou o cabelo, colocou uma gravata verde, e no seu casaco escuro e calças cinzentas, garantiu aos presentes que não era mais uma "ave de arribação" como os André Moz Caldas" depois do Natal de 2015. Seria um "presidente a tempo inteiro". A questão, como sabemos, não está na sua juventude ou na sua pouca experiência, mas nas suas competências e engenho para enfrentar os desafios políticos que agora irá enfrentar. Uma avaliação que só poderemos fazer se lhe dermos tempo. Deixem o rapaz a trabalhar...

Era inevitável !

André Moz Caldas, eleito para um segundo mandato a 1/10/2017, acaba de anunciar que se irá retirar (7/3/2018). A sua situação, como temos referido, foi-se tornando insustentável dada a enorme descoordenação em que estava mergulhada a Junta de Freguesia de Alvalade, devido às ausências cada vez mais prolongadas do seu presidente.

Ao anunciar a sua saída fez questão de anunciar o seu sucessor - José António Barbosa Borges -, o vogal da junta que já tinha a função de assinar os "papéis" na sua ausência.

Á semelhança de André Móz Caldas, quase nada conhecemos do seu percurso profissional. Trata-se de jovem nascido a 27/1/1989, que veio para Lisboa com seis anos de idade. Licenciou-se em Direito na Universidade Nova de Lisboa (1/2/2011). Ainda frequentou na mesma universidade um mestrado na Área de Ciência Jurídica Forense. Nesta altura já era um membro ativo na Juventude Socialista. Em 2012 integra a Comissão Nacional da JS, e em 2014, é já um dos representantes da JS na CN do PS.

Em 2011 começa as suas primeiras experiências profissionais: colabora na realização dos Censos de 2011, do INE. No ano seguinte estagiou, durante três meses, na na BNP Paribas (Lisboa). Em 2013, durante 6 meses, trabalha como técnico na Companhia de Seguros Allianz Portugal, S. A (Lisboa).

O Partido Socialista lança-o nas eleições autárquicas de 2013: Exerce as funções de deputado na assembleia municipal de Lisboa, membro da assembleia de Freguesia da Penha de França. Ainda em 2013, passa a desempenhar a funções de técnico assistente do Banco de Portugal (concurso público).

Em 2014 protagoniza um episódio hilariante. Durante as primárias no PS, que opuseram António Costa a António José Seguro cria um blogue "António", onde compara Seguro a Hitler. Comentário que levou ao fim do blogue.

Em 2016, o secretário de estado dos assuntos parlamentares, Pedro Nuno de Oliveira Santos, nomeia-o seu adjunto de gabinete.

O PS nas eleições autárquicas de 1 de Outubro de 2017, consegue elege-lo directamente para a Assembleia Municipal de Lisboa, mas também para a Junta de Freguesia de Alvalade. É esta forma que das juventudes partidárias chega à presidência deste orgão autárquico.

José António Borges tem pela frente uma dificil tarefa: voltar a dar à junta uma dinâmica e coordenação que tem vindo a perder, devido às ausências de André Moz Caldas no Ministério das Finanças...

Março de 2018

O Homem dos Sete Ofícios

Mário Centeno, ministro das finanças de Portugal, recebido à porta do Palácio do Eliseu, por Edouard Philippe, ministro das finanças e da economia de França, vendo-se no canto inferior direito, André Moz Caldas, presidente da Junta de Freguesia de Alvalade (11/1/2018).

André Moz Caldas, formado em medicina dentária e advocacia, foi eleito presidente da junta de Alvalade em 2013 pelo PS. Na véspera do Natal de 2015 assumiu, em acumulação, o cargo de chefe de gabinete do Ministro das Finanças Mário Centeno. Nada de ilegal nesta acumulação. As suas ausências à frente da junta tornaram-se frequentes e algumas vezes problemáticas. O excelente trabalho que já havia realizado, permitiu que muita coisa fosse ignorada. Em Outubro de 2017 voltou a ser eleito para um segundo mandato presidente da Junta de Alvalade, mas agora sem maioria absoluta.

Entretanto, Mário Centeno foi eleito presidente do Eurogrupo, um cargo de enorme relevância política na Europa, mas que exige constantes deslocações. André Moz Caldas, o principal apoio de Mário Centeno, ficou sem tempo para tratar dos assuntos da Junta de Freguesia. Iniciativas importantes, como o Conselho Social da Freguesia de Alvalade, foram abandonadas.

O vogal Pedro Ferreira tornou-se no "único" elemento que passou a assegurar a gestão da junta, nomeadamente das obras em curso, muito embora também não esteja a tempo inteiro...

A grande incógnita é saber até onde poderá ir esta situação e a consequência da mesmas para a freguesia. Os defensores desta solução afirmam que a mesma tem grandes vantagens, porque desta forma Alvalade tem um acesso mais facilitado aos fundos públicos (?).Muito mal estão as coisas em Portugal se os recursos públicos forem distribuidos desta forma.

Janeiro 2018.

Dezasseis Anos depois

Poucos meses depois do inicio da edição online do Jornal da Praceta (Junho de 2001), publicamos a carta de um morador da Rua das Murtas que apelava ao então presidente da Câmara Municipal de Lisboa (João Soares), para não se limitar a construir um novo social, mas também devia mandar limpar as lixeiras da zona e construir um parque para as crianças e jovens do bairro. O espaço envolvente não podia ser descurado nos realojamentos.

Durante anos, vezes sem conta, escrevemos sobre o assunto, falamos como presidentes e vereadores da câmara da municipal, mas também com presidentes e vogais da antiga junta de freguesia do Campo Grande. Conheciam a situação, mas não lhe atribuiam nenhuma importância.

Durante anos os moradores do Bairro Social das Murtas viveram rodeados de lixo e de ruinas das suas antigas "casas".

O único problema assumido pela câmara municipal, a junta de freguesia e a PSP eram os desacatos e a vandalização do bairro social atribuidos quase sempre à comunidade cigana que aqui fora realojada. Esse era o único problema. A deprimente envolvente do bairro era uma questão menor.

A situação só mudou em finais de 2016, quando começou a ser construído o parque de estacionamento das Confeiteiras, a ocidente do bairro social das Murtas. Uma obra que implicou limpar parte da zona. A Câmara Municipal de Lisboa, em 2017, resolveu requalificar o bairro que já se encontrava num adiantado estado de desagradação. As Murtas só então deixaram de ter uma envolvente que lembrava um cenário de guerra.

A Junta de Freguesia de Alvalade realizou também, durante o verão de 2017, uma campanha de limpeza da zona, depois de uma reportagem fotográfica do Jornal da Praceta. Eís que, em finais de Outubro de 2017, anunciou que finalmente iria construir no local um campo de jogos e um parque infantil. Foram precisos dezesseis anos para seja concretizada, a mais elementar das obras em prol das crianças e jovens que vivem neste bairro social.Esperamos que não sejam precisos mais dezesseis anos para concluir a limpeza e requalificação das Murtas.

 

Mais Demagogia Não!

Alvalade é seguramente a freguesia mais mediática de Portugal em períodos eleitorais. Nestas eleições, como tem sido habitual nas anteriores, televisões e jornais fizeram longas reportagens da visita dos vários lideres partidários à freguesia. As afirmações, quase sempre bombásticas, são sobre situações nacionais, não locais.

Alguns acontecimentos irrelevantes que aqui ocorrem adquirem facilmente uma dimensão nacional. Na manhã do dia 29/9, último dia de campanha, Pedro Santana Lopes (antigo lider do PSD e Provedor da Santa Casa da Misericórdia), deslocou-se a Alvalade para tomar um café com um amigo, candidato à presidência da junta. Certa imprensa apressou-se logo a relatar o acontecimento, fazendo crer que o mesmo era capaz de alterar o rumo de uma desastrada campanha eleitoral.

A constante presença em Alvalade dos candidatos à presidência da câmara municipal de Lisboa acabou por secundarizar as candidaturas dos que concorriam à presidência da junta de freguesia. Os candidatos locais tornaram-se meros figurantes. Com excepção de duas ou três candidaturas, nem sequer tiveram direito a serem referidos na propaganda que foi distribuida na freguesia. O candidato ou candidata à presidência da câmara era o único cujo nome era destacado.

A maioria das listas que concorreram em Alvalade, também não se deram ao trabalho de elaborarem programas de acção para a freguesia. O partido que desde 1977 dominou em Alvalade, num total desrespeito pelos eleitores, nem sequer apresentou um programa eleitoral digno desse nome. Numa atitude de manifesta sobranceria esperava que os leitores lhe dessem um cheque em branco, e acabou tendo o pior resultado de sempre em Alvalade.

Agora que Alvalade deixou de ser o palco para tanta demagogia, esperamos que o partido que acabou por ganhar as eleições comece a concretizar o programa que foi sufragado pelos eleitores. Estaremos atentos. Outubro de 2017.

 

 
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