Jornal da Praceta


Informação sobre a freguesia de Alvalade

(Alvalade, Campo Grande e São João de Brito)  

Breve História da Freguesia de Alvalade e do Campo Grande

 

 

Introdução. Idade Média . Idade Moderna .

  Século XIX. Século XX. Hoje

 

 

Século XIX

Alvalade no inicio do século XIX continuava centrado no Campo Grande, um imenso terreiro. Todos os anos aí se realiza um dos acontecimentos mais importantes da vida da cidade: a Feira do Campo Grande, quase sempre no mês de Outubro. Não era apenas o gado que atraia multidões, mas sobretudo os seus inúmeros divertimentos.

Estradas

A freguesia de Alvalade pela sua posição na cidade era atravessada pelas duas principais vias de acesso de quem quem do  vem ou se dirige para o norte:  a Estrada da Portela de Sacavém e a Estrada do Campo Grande. Eram zonas de paragem obrigatória, nomeadamente para dar de beber aos animais usados nos transporte de mercadorias. Entre os muitos "Retiros" e "Hortas" que existiam ao longo destas estradas, dois deles ficaram célebres: o Perna de Pau e o Quebra Bilhas.

Estrada da Portela de Sacavém, no Pote de Água. Fotos de 1968 (João H.C. Goulart) e 2003 (Jornal da Praceta). A estrada desapareceu com a construção da "2ª. Circular". O troço que dela resta termina no problemático "Bairro de São de Brito".

 - A Estrada da Portela de Sacavém. Vinda da Encarnação penetrava na freguesia no Pote d`Água, onde havia um ponto de abastecimento dos animais. Seguia depois para o Areeiro e daqui para largo de Arroios, onde terminava (1) .

Chafariz do Campo Grande, construído em 1813, para substituir um poço existente no local. Foto de Eduardo Portugal, 1941.

- A Estrada do Campo Grande. Vinha de Odivelas, Calçada da Carriche, Lumiar, atravessava o Campo Grande, seguindo pela Rua de Entrecampos até ao Campo Santana (2). Era muito frequentada e popular devido à passagem de animais para as praças de Touros e depois para o Mercado Geral do Gado. Ao longo desta estrada foram construídos dois grandes chafarizes, um mesmo em frente ao antigo Retiro do Quebra Bilhas e outro na Rua de Entrecampos, o único que subsiste.

O trafego de pessoas e mercadorias pelo Campo Grande estimulou a criação local de muitas atividades de comércio e diversão, como as tascas.

Touros

D. Miguel foi quem promoveu o hábito das esperas de touros. Os pobres animais que seguiam a caminho da Praça de Touros do Campo  Santana, entravam em Lisboa pela Calçada da Carriche, seguindo depois pelo Lumiar, Campo Grande (junto à Igreja), Rua de Entrecampos, e após uma paragem nocturna no Campo Pequeno, prosseguiam pelo Arco do Cego, Arroios até à praça do Campo Santana. 

Ao longo deste percurso, pululavam os retiros e as tabernas, locais frequentados por fadistas e prostitutas, mas também por todo o tipo de malandragem.   

É neste eixo, mais precisamente no Campo Pequeno que em 1892 será inaugurada a mais grandiosa praça de touros do país. Neste local, em 1889, foi  realizado o primeiro jogo de futebol em Portugal.

Jardim do Campo Grande

A transformação do Campo Grande de terreiro num passeio público é obra do século XX. O Intendente geral da Policia Inácio Pina  Manique, em 1788, mandou organizar todo o espaço, mas nada se concretizou. Em 1801 foram ordenado elaborar um plano para a criação de um passeio público no Campo Grande e Pequeno. Foi aqui também criado um viveiro de plantas. Devido à penúria do erário público provocado pela invasões franco-espanholas (1807-1814), em 1808, os trabalhadores afectos ao jardim foram despedidos. Em 1813 foi erguido em chafariz, onde antes existia um poço. Os ingleses organizam aqui corridas de cavalos durante a regência de Beresford (1809-1820).

Durante a guerra civil, entre liberais e absolutistas (1828-1834), o Campo Grande sofre uma nova devastação. Em 1833 aqui se afrontaram as tropas fieis a D. Miguel e as seguidoras de D. Pedro IV, sendo estas últimas comandadas pelo Duque de Saldanha.

Em 1836 a câmara municipal de Lisboa passa a administrar o jardim. Em 1839 é nomeado um Feitor. Em 1855-56 são feitas importantes melhorias, para logo de seguida ficar ao abandono. É criado um lago (c. 1863). A partir do final do século o Campo Grande torna-se num dos espaço mais animados da cidade. Em 1888 surge aqui o célebre "chalé das canas", em 1900 é criado um venda de bebidas no meio do lago, etc.

Em resultado das obras aqui realizadas no final do século, acorriam aos jardins do Campo Grande, todas as classes sociais, incluindo a família real. Neste espaço realizam-se importantes competições desportivas: hipismo, ciclismo, atletismo, automobilismo e até de aviação.

Fábricas

Embora a paisagem continue rural, começam a pulular as pequenas oficinas e as  algumas fábricas como a Fiação do Campo  Grande (1838), o Mercado Geral do Gado (1888) em Entrecampos, impunham-se pela sua dimensão . 

A pobreza era crónica. abundavam as crianças abandonadas ou mal nutridas. Muitas iniciativas filantrópicas procuravam minorar este drama social. Em 1857 abre o Asilo D. Pedro V. A obra desta instituição é notável, nomeadamente na formação de criadas de servir, costureiras e professoras primárias. Em 1876 abre a primeira creche da Sociedade das Creches, cujo edifício ainda existe. 

Quintas

A vida nos campos de Alvalade embora de tenham modificado bastante, em grande parte devido ao aumento da população e instalação de muitas actividades, não perdeu contudo, o seu aspecto campestre. Nas muitas quintas aqui existentes continuaram a ser construídas magníficos palacetes, como o dos Condes de Vila Real, actualmente em ruinas. 

A paisagem campestre de Alvalade só começou a mudar a partir dos anos quarenta do século XX, quando os proprietário das quintas foram expropriados para a expansão da cidade, da qual resultará a Cidade Universitária e o Bairro de Alvalade.

Transportes

Embora a Freguesia dos Três Santos Reis Magos tenha desde 1885 sido integrada na cidade de Lisboa, a verdade é que estava muito afastada da sua área urbana. Toda a área da atual freguesia de Alvalade continuava a ser profundamente rural. O acesso por transportes públicos à sua principal centralidade - o Campo Grande - foi lentamente sendo melhorado.

Os ónibus desde 1835 ligavam os Paços do Concelho de Lisboa ao Campo Grande. Em 1869, o Duque de Saldanha obtém uma concessão para estabelecer uma linha de caminho de ferro tipo Larmanjat desde o Arco do Cego ao Lumiar, um projecto falido poucos anos depois (1877).  A Companhia Real dos Caminhos de Ferro Portugueses obtém, em 1886, a concessão para a ligação da linhas de Norte a Leste, e a Oeste. Em 1891 entrada em funcionamento a ligação a leste entre Xabregas e Benfica, a conhecida linha de Chelas, que em 1945 irá definir os limites a sul do Bairro de Alvalade.

Freguesia

Em termos administrativos, a freguesia dos Santos Reis do Campo Grande, fazia parte de vasto conjunto de freguesias do Termo de Lisboa. Em 1852 integrou com mais 21 freguesias o Concelho dos Olivais, onde permaneceu até 1885, quando foi finalmente integrada no Concelho de Lisboa.

No Palácio do Marquês de Valença, ao fundo do Campo Grande, funcionou entre 1855 e 1858, os Paços do Concelho dos Olivais. Foi Durante este curto período que no Campo Grande se realizaram significativos melhoramentos. 

Carlos Fontes

 

Continuação

Notas:

(1) Desde a Portela de Sacavém esta estrada  passava por várias quintas: Q. do Piloto, Q. do Armando, Q. do Carmo, Q. do Chação, Q. d`Amoreira, Q. de Sta. Luzia, Q. Fonte Coberta, Q. de S. António (séc. XVIII ?), Q. dos Poiaes, Perna de Pau (antiga tasca, principio do séc. XIX. Localização: Largo Cristovão Aires ), antigo Apeadeiro do Comboio de Chelas , Q. C. Linhares, Areeiro, Q. do Bacalhau, Convento de Arroios (Rua Quirino da Fonseca). A estrada passava a poente da atual Avenida Gago Coutinho.   

(2)

   
 
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