Jornal da Praceta

Informação sobre as freguesia de Alvalade

(Alvalade, Campo Grande e São João de Brito)  

Breve História da Freguesia de Alvalade e Campo Grande

 

 

 

Introdução. Idade Média . Idade Moderna .

 Século XIX. Século XX. Hoje

 

 

Idade Moderna

Os campos de Alvalade, no século XVI, continuavam a ser mencionados como especialmente férteis e produtivos.  As suas múltiplas quintas abasteciam Lisboa em viveres. 

Ao contrário de outras zonas, como o Lumiar, Carnide ou Benfica, não existia aqui um núcleo habitacional definido a partir do se desenvolveu a malha urbana da freguesia. O que existia eram quintas ligadas por azinhagas, e uma grande estrada que fazia a ligação de Odivelas a Lisboa, tendo neste local um vasto terreiro público (Campo Grande),  junto do qual foi erguida uma igreja.

É preciso esperar pelo inicio do século XVIII para que à volta do terreiro público - o Campo Grande - se comece lentamente a formar uma núcleo habitacional. Para o crescimento desta aglomeração no Campo Grande ficou a dever-se o terramoto de 1755 que levou muitos moradores de Lisboa a procurarem nos arredores melhores ares, que uma cidade em reconstrução certamente não oferecia. O  crescimento demográfico própria cidade com a sua expansão para norte também acelerou este processo. A designação de Campos de Alvalade começou a cair em desuso a partir do século XVII sendo substituída pela de Campo Grande, onde se estava a formar uma nova aglomeração.

Terreiro

O terreiro do Campo Grande de Alvalade,  tinha no século XVI um carácter oficial, nomeadamente para a prática de exercícios militares. Era um amplo espaço que a coroa e câmara municipal procurava conservar livre de outras ocupações. Em 1520, uma carta régia interdita a ocupação destes terrenos. Em 1578 D. Sebastião passa aqui revista às forças armadas antes de  partirem para Alcácer Quibir. Em finais do século XVII sofre obras de embelezamento, o que voltará a acontecer ao longo da segunda metade do século XVIII. 

Paróquia

Ainda no século  XVI e junto à mencionada estrada surge uma ermida, a invocação dos Três Santos Reis, num local já então denominado de Campo Grande, para o distinguir de outro mais a sul, dito campo pequeno. Afastado da cidade e da sua turbulência, prestava-se igualmente a reuniões de grande importância social.

Na Ermida dos Santos Reis Magos, em 1580, reuniram-se os vereadores da câmara de Lisboa, os membros da Casa dos 24 para procederem à eleição dos 2 procuradores que se seriam enviados às Cortes de Setúbal.

A paróquia da Ermida começou por estar integrada na freguesia de Santa Justa de Lisboa. No século XVII, devido ao desenvolvimento demográfico da zona deu-se a sua desanexação da Paróquia de Santa Justa, tendo então sido agregada à de São João Baptista do Lumiar. Mas esta união foi de pouca dura já que , no século XVIII, aparece como o estatuto de paróquia independente que ainda hoje mantém.

O terramoto de 1755 destruiu, quase por completo, a Ermida dos Três Santos Reis. Procedeu-se quase de imediato à sua reconstrução, ou melhor dizendo, a construção de uma Igreja mais adequada às necessidades da população que não parava de aumentar. Esta obra contou não apenas com os donativos dos moradores locais, mas também com o apoio de Rainha D. Maria I que autorizou, em 1778, a realização de uma feira. As receitas da feira foram exclusivamente destinadas às obras de reconstrução da igreja. Esta foi reconstruída e a feira continuou a realizar-se, neste local e até princípios dos século XX.

Quintas

As notícias dos campos de Alvalade são muito dispersas, no entanto, a partir do século XVI é possível distinguir dois outros tipos de referências históricas:

O primeiro é sobre a qualidade das suas quintas capazes de servirem de paço a figuras reais. D. João III, por exemplo, em Outubro de 1551, aqui se detém oito dias, após a transladação de seu pai, D. Manuel I, para o mosteiro dos Jerónimos em Belém.

O segundo é sobre a qualidade dos seus ares. Os tratados de medicina dos séculos XVI e XVII davam na altura uma enorme importância à qualidade do ar, não apenas porque este permitia preservar a saúde, mas também curar doenças. Os ares dos campos de Alvalade tinha faziam milagres à saúde. Esta terá sido uma das razões que estimularam o aparecimento de muitas quintas de veraneio ao longo dos séculos.

Dos séculos XVII e XVIII subsistem alguns palácios e palacetes, como o das Galveias, Galvão Mexia (Museu da Cidade), ou as quintas como a de Santa Rita dos Ameixiais (Colégio Moderno), Lagares del` Rei e a dos Coruchéus.

A qualidade dos ares de Alvalade terá sido também a principal razão porque no século XVIII, a Ordem Terceira de S. Francisco aqui construiu um hospital e uma Igreja. 

Estrada e Tascas

No século XVII e XVIII existem noticias dispersas sobre a instalação de várias "fábricas", mas estamos em crer que estas não passavam de casos isolados numa paisagem essencialmente rural. Ao longo da estrada a situação parece ser diferente.

A partir da segunda metade do século XVIII, o aumento do tráfego  suscitou o aparecimento de serviços de apoio aos viajantes. Ao longo do trajecto surgem barracas e casas de comes e bebes, e até se explora a água de um poço que muito deu que falar. O Campo Grande torna-se um lugar de paragem obrigatório, para quem saí ou entra em Lisboa. 

 

Carlos Fontes

 

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