Jornal da Praceta

Informação sobre a freguesia de Alvalade

(Alvalade, Campo Grande e São João de Brito)  

 

Breve História da Freguesia de Alvalade e Campo Grande

 

 

 

Introdução. Idade Média . Idade Moderna

  Século XIX. Século XX. Hoje

 

Século XX

O Campo Grande no princípio do século XX está na moda sendo aqui construída magníficas moradias e prédios de rendimento, onde influentes figuras da sociedade do tempo escolhem viver. 

Palacete dos Conde d` Avila ( ? )(demolido)

Desportos

No início do século, o Campo Grande era o principal centro de atracções desportivas da cidade. Quase todas as grandes provas desportivas realizam-se aqui, desde provas de hipismo, ciclismos, passando pelas de motociclismo, automobilismo, tiro e até de aviação. As mais importantes de todas eram contudo as de futebol, que atraíam verdadeiras multidões. O primeiro grande estádio foi inaugurado em 1912, no topo norte do Jardim do Campo Grande, seguindo-se a construção de outros importantes estádios.

O Sporting Clube de Portugal foi o primeiro grande clube a fixar-se no Campo Grande, onde nasceu e ainda permanece. Depois, entre 1940 e 1954 aqui também teve a sua sede e estádio o Sport Lisboa e Benfica. Outros clubes de futebol, como Clube Internacional de Futebol (CIF) tinham aqui os seus campos de futebol.

Jardim do Campo Grande

O Jardim do Campo Grande, continuando um longa tradição, era no início do século muito frequentado pela família real e assim aconteceu até ao fim da monarquia (1910). Todas as as classes sociais continuaram a elege-lo até aos anos 60, como um dos seus locais preferidos para passeios domingueiros. As obras realizadas no jardim nos anos 40 e depois nos anos 60, mantiveram-no como um dos parques mais agradáveis de Lisboa. Ao longo dos jardim foram erigidas diversas estátuas.

As feiras do Campo Grande terminam, mas outras festividades e concursos continuaram com alguma regularidade a animar a zona. Em 1961 instalou-se no topo sul do Jardim, a Feira Popular de Lisboa.

Cidade Universitária

No inicio dos anos 30 começa a pensar na construção de uma cidade universitária em Lisboa à semelhança das que existiam já em outras capitais europeias. O primeiro plano data de 1934. A existência de grandes quintas na zona do Campo Grande foi um factor determinante para a escolha para a localização desta cidade, projectando-se desde logo a construção do novo hospital universitário (Hospital de Santa Maria, inaugurado em 1953), a reitoria e as faculdades de Direito e de Letras (1959/1961). Em 1956 era inaugurado o Estádio Universitário, um vasto complexo desportivo.

No zona estava já em construção o Hospital Psiquiátrico Júlio de Matos (inaugurado em 1942), junto ao qual se irá construir depois o Laboratório Nacional de Engenharia Civil, cujo edificio principal foi inaugurado em 1952.

Nos anos 60, ao conjunto de ensino e investigação que nesta zona são criados junta-se a Biblioteca Nacional de Portugal (1968).

Bairro de Alvalade

Em finais dos anos trinta, a expansão para norte da cidade de Lisboa, altera radicalmente a fisionomia e a relativa pacatez do Campo Grande. 

Entre a Av. Alferes Malheiro (actual Avenida do Brasil) e a Linha do comboio de Chelas começa a delinear-se um dos maiores projectos urbanísticos de sempre da cidade de Lisboa - o do Bairro de Alvalade. A concepção do projecto foi confiada ao arquitecto Faria da Costa (1945), abrangendo uma área de 230 hectares, destinado a 45.000 habitantes.

A construção do Bairro de Alvalade que se inicia em 1947, prosseguiu até princípios dos anos 70. 

Durante o anos 50 são construídas, nas oito células, as estruturas do bairro. No seu interior surgem escolas primárias e a Escola Técnica Elementar Eugénio dos Santos (1951). Entre os equipamentos relevantes construídos nesta altura, destacam-se o Laboratório Nacional de Engenharia Civil (1952), a Igreja de São João de Brito (1955) e o cinema Alvalade (1957).  

Nos anos 60 assistiu-se ao "fecho" várias áreas quando são construídos relevantes conjuntos habitacionais e equipamentos públicos: a Praceta da Rua José Lins do Rego (1961), os edifícios de espectáculos (T.Maria Matos, King), hotel e escritórios (1963), as Piscinas do Campo Grande (1964), a Praça de Alvalade (1966), onde irá surgir o Centro Comercial de Alvalade (1975), o Centro de Artes Plásticas dos Coruchéus (1971). Foram inaugurados dois relevantes equipamentos escolares, o Liceu Rainha Dona Leonor (1961) e o Liceu Padre António Vieira (1965). Junto à Mata de Alvalade surge o Complexo Desportivo de São João de Brito (1968). Em 1964 é inaugurado o Mercado de Alvalade Norte.

Face ao enorme dinamismo que Alvalade demonstram grandes empresas nacionais e internacionais abrem aqui as sedes e serviços, como a IBM, "Páginas Amarelas", etc..

O Bairro de Alvalade desde o inicio caracterizou-se pela forma como harmonizava todo o tipo de equipamentos, desde um diversificado parque habitacional, a vastas zonas de comércio, cinemas, teatros, galerias de arte, piscinas, hotéis, etc. A tudo isto não faltavam excelentes transportes e escolas para todos os níveis de ensino. Alvalade foi durante os anos 60 e 70 o símbolo da Lisboa moderna. 

Explosão Demográfica e Transportes

A população da freguesia em 1900 era de 1019 pessoas. Em 1940 atingia as 9122. A criação do bairro de Alvalade e da cidade universitária provoca uma enorme crescimento demográfico.

Dado o enorme crescimento da Freguesia do Campo Grande, nomeadamente em termos populacionais, em 1959, é decidido dividi-la. Para além da citada freguesia, surgem as Freguesias de Alvalade e de S. João de Brito. A população das três freguesias em 1960 ultrapassava as 50 mil pessoas.

Face à dimensão populacional que se atingira para melhorar a rede de circulação procedeu-se à construção da IIª. Circular (1961), construção dos viadutos do Campo Grande e dos Av. dos EUA (1971). Abertura das estações de metro de Entrecampos (1959), Roma (1972), Alvalade ( 1972 ), Cidade Universitária (1988) e Campo Grande (1993 ).

Decadência

Paralelamente a este crescimento urbanístico planeado vão surgindo por todo o bairro pequenos bairros de barracas e construções abarracadas, cujo número aumenta de forma exponencial depois de Abril de 1974.

As "Murtas" não tardam a ser identificadas como um "supermercados" de droga capaz de competir com o do "Casal Ventoso". Os "bairros de barracas" da Quinta do Narigão, Calvanas ou o de São João de Brito impressionavam pela sua dimensão.

A construções planeadas em Alvalade dão lugar nos anos 80 à desordem urbanística, provocada pela incúria camarária ou cumplicidade com a especulação imobiliária.

A Câmara Municipal de Lisboa deixou de cumprir as suas funções mais básicas: limpeza das ruas, arranjo dos espaços verdes. Abandonou equipamentos municipais (piscinas, bibliotecas, património, museus, etc). Permitiu a proliferação de construções clandestinas, a mutilação das fachadas dos edificios, a ocupação dos passeios por automóveis, etc, etc.

O jardim do Campo Grande passou a ser dominado por marginais que o transformam, na maior das impunidades, numa zona frequentada por pedófilos, prostitutos e traficantes de droga. A criminalidade disparou em Alvalade, gerando um sentimento geral de insegurança, afastando muitos moradores. 

Nas avenidas emblemáticas de Alvalade, como a Av. de Roma, Av. Estados Unidos da América, Av. da Igreja ou a Av. Rio de Janeiro, ou conjuntos urbanos como o "Bairro das Estacas", assistiu-se à sua degradação, com acrescentos e obras que desfiguram por completo os seus edifícios. 

Foi neste contexto de decadência, impunidade e corrupção nos autarquias que, em 2001, foi fundado o Jornal da Praceta, o primeiro jornal online de um bairro de Lisboa.

A desordem urbanística que entretanto fora criada resultou numa degradação de todo o ambiente urbano, o aumento da poluição atmosférica e sonora, numa zona da cidade atravessada por aviões.

Para agravar ainda mais a situação assistiu-se a uma brutal diminuição e envelhecimento da população residente. A consequência imediata foi a quebra do dinamismo económico, social e cultural do bairro, deixando de captar gente nova e empreendedora.

Expansão das Universidades

No meio deste caos, na Cidade Universitária e à sua volta, a partir de meados dos anos 80 voltou a construir-se em ritmo acelerado, surgiram novas faculdades, a Torre do Tombo. O ISCTE expandiu-se. A Universidade Católica e a Universidade Lusófona (1995/6) criaram aqui os seus "campus".

Renovação ?

A reorganização da CML em 2013, ditou a junção das três freguesias numa só: a freguesia de Alvalade. Apesar do enorme potencial, o futuro desta freguesia continua a está dependente da renovação da sua população, extremamente envelhecida. 

Carlos Fontes

   
 
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