Jornal da Praceta


Informação sobre a freguesia de Alvalade

(Alvalade, Campo Grande e São João de Brito)  

Breve História da Freguesia de Alvalade

Em construção....

 

A Singularidade da Igreja dos Santos Reis Magos no Campo Grande

 

Em Portugal o culto dos reis magos está ligado aos descobrimentos. Na tradição cristã os reis magos ou astrólogos simbolizavam os que foram guiados pelas estrelas para irem ao encontro do Salvador do Mundo. Antes do século XVI este culto não tem expressão em Portugal, o mesmo não acontecia na Galiza.

Na Galiza o seu culto estava muito difundido desde o século XII. Segundo uma lenda, São Tiago, discipulo de Jesus Cristo dirigiu-se para a Peninsula Ibérica para a evangelizar guiando-se pela "Via Lactea", a qual passou a ser conhecida por "Caminho de Santiago". Os peregrinos que se derigiam a Santiago de Compostela para verem o túmulo do apóstolo também se orientavam pelas estrelas.

Os portugueses conheciam as muitas representações dos reis magos que existiam na Galiza mas não lhes conferiam valor suficiente para lhes prestarem culto. Só a partir do momento que chegaram à India (1498) é começaram a desenvolver este culto dando-lhe uma dimensão própria que reflete as regiões do mundo que que descobriram.

Igrejas Portuguesas dos Reis Magos no Mundo

Igreja dos Reis Magos, Bardez, Goa, India

Data de 1555 a primeira igreja portuguesa que tem como orago os Santos Reis Magos. Foi fundada pelos franciscanos em Bardez, Goa. Este culto em Goa reveste-se de um enorme simbolismo: era no dia dos Reis Magos (6 de Janeiro ) que os vice-reis entravam na velha Goa. Os Magos eram os representantes de todos os povos da Terra. Estão presentes na primeira Epifania, a manifestação pública do Messias no qual é reconhecido como o Salvador universal. Os vice-reis portugueses assumem.-se simbolicamente os magos da tradição cristã.

Nesta Igreja goesa, situada junto a uma fortaleza com o mesmo nome foram sepultados três vice-reis entre 1581 e 1619.

Igreja dos Santos Reis Magos, Campo Grande, Lisboa

A Igreja dos Santos Reis Magos em Lisboa começou por ser apenas uma simples ermida na dependência da Paróquia de Santa Justa. Passou depois para a dependência da Paróquia de S. João Baptista do Lumiar.

No século XVI os moradores no Campo Grande local solicitaram a sua independência. Uma separação que naturalmente dado corte de rendimentos que provocava para os clérigos do Lumiar. Entre os moradores do Campo Grande que defenderam a criação desta paróquia conhecemos os nomes de Dinis Lobo da Gama, Fernão de Melo, Pedro Taveira Soares, Luis Freire de Andrade e Silvestre do Amaral (2). Ainda no século XVI temos a referência à constituição do compromisso da Irmandade do Senhor (1572) e à reunião na Igreja d os representantes da cidade de Lisboa e da Casa dos Vinte e Quatro para escolherem os delegados às Cortes de Setubal (1580).

No século XVII regista-se a construção de um cruzeiro (1646) e trabalhos no rábulo-mor por José Ramalho, concluídos em 1698 por Manuel Francisco (4).

No século XVIII a informação começa a ser mais abundante. Em 1701 trabalhavam no retábulo os pintores Francisco de Sousa, Manuel Soares e José de Campo a cargo da Irmandade do Santíssimo (4) e 1720 fundou-se a Irmandade das Almas.

O terramoto de 1755 afectou bastante a Igreja. Nas Memórias Paroquiais datadas de 1758 escritas pelo pároco José Antunes Moreira (3) sabemos que a Igreja estava situada junto à Quinta de Miguel da Costa Moreira e do desembargador do Paço José Cardoso Castelo.

No altar-mor estavam representados o Reis Magos; no lado da Epístola, a Natividade e num nicho a imagem de São João Baptista. No lado oposto, o painel da Circuncisão e num nicho a imagem de Nossa Senhora da Guia. Estas pinturas são anteriores ao terramoto, a sua autoria é atribuida a Pedro Alexandrino (1729-1810).

A Igreja tinha outros quatro altares. Do lado da Epístola colaterais: o altar de Santo António, com as imagens de Santa Luzia e Santa Catarina; No lado oposto, o altar do Menino Jesus, tendo o Crucificado e São Miguel.

No corpo da Igreja, no lado da Epístola, a capela de Nossa Senhora da Conceição, com as imagens de Santa Ana, São José, Nossa Senhora e o menino. No lado oposto, a capela de Nossa Senhora do Rosário, com as imagens de São Sebastião e São Gonçalo (1)

Neste ano de 1758, segundo o pároco, a freguesia contava comn 225 vizinhos (3).

Em 1778 (1) a Irmandade do Santissimo Sacramento solicita à rainha D. Maria I a concessão de uma feira franca para obter receitas para custear as obras na Igreja (5).

Datados de 1798 existem na sacristia 2 painéis de azulejos representando um Nossa Senhora da Conceição, Santo António e São Marçal e o outro Cristo crucificado e São Caetano. (4)

No século XIX foram realizadas importantes obras no interior, sendo colocado sobre o arco o escudo real de D. Luís, com as armas de Portugal. Recebeu móveis e sinetas provenientes do extinto Mosteiro da Esperança (1889), tendo sido realizada obras de reparação em 1896.

Os registos fotográficos do século XX permitem-nos acompanhar com mais detelhe as modificações na igreja. A principal mudança ocorreu em 1996 quando foram realizadas obras de restauro e construção do salão paroquial com comunicação com a nave central da Igreja.

Desconhecemos a existência de cerimónias ou festividades próprias desta Igreja dedicadas aos Reis Magos. Outros cultos parecem ter secundarizado a dimensão simbólica dos reis magos.

Igreja dos Santos Reis Magos, Nova Almeida, Brasil. Fundação: 1580

Igreja dos Santos Reis Magos, Fenais da Ajuda, Açores. Fundação: 1832

Capelas portuguesas dedicadas aos Reis Magos no Mundo

Á semelhança das Igrejas as capelas dedicadas as reis magos difundiram-se a partir do século XVI num claro simbolismo associada aos descobrimentos.

- Capela dos Reis Magos, Estreito da Calheta, Madeira, princípios do século XVI

- Capela dos Reis Magos, Igreja da Estrela, Ribeira Grande, Açores

- Capela dos Reis Magos, Ponta Delgada, Açores, Século XVI

- Capela dos Reis Magos, Convento de Cristo, Tomar.

- Capela dos Reis Magos, Ribeira Brava, Madeira

- Capela dos Reis Magos, Igreja de S. Francisco, Porto. Século XVI

- Capela dos Reis Magos, Convento de São Marcos, Tentugal, Coimbra. Século XVI.

- Capela dos Reis Magos, no Forte dos Reis Magos, Natal, Brasil. 1598.

- Capela dos Reis Magos, Porto. Segundo a tradição a festa local aos reis magos remontava ao século XV (?). A capela que existiaera de 1717, foi vendida pela câmara do Porto, tendo sido remontada na povoação de Pocariça, Cantanhede.

Pinturas as portuguesas dedicadas aos Reis Magos no Mund

Os três magos (mágicos, astrólogos) ou reis magos consagrados na tradição cristã - Gaspar, Baltazar e Melchior - representam as três idades do Homem, mas são sobretudo os representes dos três continentes conhecidos até ao século XVI: Europa, Ásia e África. A particularidade da pintura portuguesa foi passar a representar outros povos, como os indios do Brasil.

Festas

Lendas

Carlos Fontes

Notas:

(1 ) Em 1758 na Quinta do Ferro, junto ao Campo Pequeno, sabemos que existia uma capela dedicada aos Santos Reis.

(2) Corografia Portuguesa e descripçam topografica do famoso reyno de Portuga, ..., tomo III. 2ª. Edição. Braga. 1869. Página. 446 (1ª. ediçao, 1712)

(3)Fernando, Lisboa em 1758. Memórias Paroquiais de Lisboa, Lisboa, Câmara Municipal de Lisboa, 1974;

(4)FERREIRA, Sílvia Maria Cabrita Nogueira Amaral da Silva, A Talha Barroca de Lisboa (1670-1720). Os Artistas e as Obras, Lisboa, Dissertação de Doutoramento em História da Arte apresentada à Faculdade de Letras de Lisboa, 2009, 3 vols.; consultar: vol. II, p. 539;

   
 
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