Jornal da Praceta


Informação sobre a freguesia de Alvalade

(Alvalade, Campo Grande e São João de Brito )

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Segurança na Cidade Universitária

A questão da segurança na Cidade Universitária, incluindo as suas zonas adjacentes, é recorrente. A cada novo assassinato, violação e outro crime grave a questão volta a ser debatida. As soluções que permitiam minorar o problema são consensuais, o que abunda à incompetência e incúria como temos relatado.

1. Especificidade da "Cidade Universitária". No amplo espaço onde está implantada existem várias universidades (UL, UCP, ULusofona, ISCTE) e instituições públicas (BN Portugal, Torre do Tombo, LNEC, etc), embora partilhem muitos problemas, espaços e serviços comuns vivem isoladas. Nem sequer procuram tirar partido do enorme potencial que a sua reunião neste vasto espaço poderia significar em termos de conhecimento e projecção internacional.

A Universidade de Lisboa (UL), a maior de todas as entidades, como referimos inúmeras vezes, nunca se mostrou procupada com o espaço público em volta das faculdades, caminhos de acesso, limpeza, estacionamento, etc. Foi construindo edificios sem nenhuma coerência global, o resultado é um conjunto desordenado, pouco cuidado e com problemas de segurança para quem nele estuda, trabalha ou por lá passa. Alguns edificios propriedade da UL estão em adiantado estado de ruina.

A Câmara Municipal de Lisboa (CML) desligou-se durante décadas da Cidade Universitária. A antiga Junta do Campo Grande encarava-a como um problema que não de lhe dizia respeito. Na verdade só depois de 2011 é que CML passou a manifestar alguma preocupação com a Cidade Universitária, graças a uma melhor articulação com a própria UL. No entanto nenhuma plano global foi elaborado para a sua requalificação e desenho do espaço público.

2. Requalificação e Limpeza. É sabido que o abandono dos espaços públicos, edificios em ruina, lixeiras, zonas mal iluminadas atraiem os deliquentes. O abandono era a regra nesta zona da cidade. Não admira a frequência e quantidade de crimes que ocorriam nesta zona de Lisboa e que enchiam as páginas dos jornais: assassinatos, droga, pedofilia, prostituição masculina, violações, tráfico de crianças, assaltos, tarados sexuais, etc. Em Lisboa, a Cidade Universitária era sinónimo de criminalidade e não de conhecimento. Uma associação que tarda a desaparecer.

A situação só começou a mudar depois de 2013 quando se iniciou a lenta requalificação e limpeza de algumas áreas, como o Jardim do Campo Grande e a Alameda da Universidade, o que afastou muitos dos criminosos que frequentavam estes locais.

A criação de grandes parques se contribuiu para "disciplinar" o estacionamento, também a agravou a insegurança. Pela sua enorme dimensão, falta de iluminação, e acessos de desenho inadequados, atrairam os delinquentes. Continuaram as violações, assaltos e furtos em automóvei. A própria prostituição masculina voltou à Cidade Universitária, onde aliás nunca desapareceu.

3. Focos e Ações Recorrentes. A "Cidade Universitária" é atravessada por estradas e caminhos percorridos diariamente por centenas de milhares de pessoas. Não é um "campus" isolado, o que facilita a ação de criminosos. Neste contexto é expectável que todo o tipo de delinquentes, como traficantes de droga, procurem misturar-se com a população estudantil, nomeadamente nas zonas adjacentes onde se vendem bebidas alcoolicas. Uma situação que pode ser facilmente observado, como já foi referido, no "Mini-Campus" junto à Faculdade de Ciências de Lisboa. O estado de abandono, lixo acumulado e a pouca iluminação atraia bandos de delinquentes.

Em dias de futebol no estádio do SCP toda a zona é varrida por uma inqualificável onda de destruição e vandalismo. A PSP entrega a gestão do território aos "arrumadores de automóveis" que transformam os espaços verdes em parques de estacionamento, destroem sistemas de rega e a iluminação numa completa impunidade. A venda de alcool em carrinhas de bifanas estimula o processo de degradação.

4. Policiamento. A 18º Esquadra da PSP- Campo Grande sempre se mostrou impotente para acabar com criminalidade local. O camandante da esquadra José Cunha revelou que tinha apenas dois agentes para policiar a Cidade Universitária (21/03/2021). A UL paga também a agentes da PSP para depois das 19 horas policiarem a zona das suas faculdade. A Junta de Freguesia de Alvalade tem fornecido equipamento à esquadra (uma viatura electrica, bicicletas, etc.) o que se revelado sempre insuficiente. Aposta-se agora numa sistema de video-vigilância como a "solução".

É fácil perceber que se video-vigilância for implantada de forma desgarrada e sem qualquer articulação com outras medidas necessárias, a insegurança vai manter-se.

A Cidade Universitária Carece de Planeamento e Limpeza

A curta reportagem que se segue foi feita em Fevereiro de 2020. Foi preciso esperar mais de um ano para que em Março de 2021 a Universidade de Lisboa resolvesse mandar limpar o terreno. O caso espelha a forma como a Cidade Universitária continua a ser gerida.

Um dos caóticos parques de estacionamento na Cidade Universitária. O edificio em ruínas pertence à Universidade de Lisboa. Foto: 11/02/2020

Desde o assassinato do jovem Pedro Fonseca que a questão da segurança na Cidade Universitária voltou a ser notícia. Para remediar a falta de segurança foram colocados mais candeeiros e a policia procura agora dar maior visibilidade á sua presença. Nada que no passado já não tenha acontecido. O problema de fundo é o estado caótico de toda a Cidade Universitária de Lisboa onde há muito que falta ordenamento, limpeza e cuidados permanentes na sua preservação. Um ambiente propicio à criação de focos de marginalidade. O assunto nunca incomodou os reitores da UL como temos constatado.

O espaço está ao abandono e é frequentado por marginais. Fica junto à Torre do Tombo e á Faculdade de Ciências de Lisboa onde estudou o jovem Pedro Fonseca. Foto: 11/02/2020

Na vasta área da Cidade Universitária abunda o lixo e ruinas de antigos edificios. Muitos das construções recentes carecem de manutenção e os seus espaços envolventes estão degradados. O estacionamento, incluindo os vários parques, são fruto do acaso e não de qualquer planeamento. Nada disto devia de existir num espaço que se quer seguro e qualificado. Fev.2020

   
 
 

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