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Carlos Moedas, o Sr. Unicórnio

O unicórnio, animal mitológico, foi associado desde a antiguidade clássica à pureza e à força. Nos nossos dias foi associado a negócios de lucros rápidos de milhões. Carlos Moedas durante a campanha eleitoral para as autárquicas de Setembro de 2021 prometeu criar em Lisboa uma Fábrica de Unicórnios. Sob a sua direcção a CML as antigas instalações da Manutenção Militar no Beato seriam transfornadas, não apenas numa Hub Criativo (projecto em curso desde 2016), mas numa fábrica de milionários. A miragem do dinheiro a rodos teve certamente efeito entre os que se deixaram seduzir pela obtenção do dinheiro fácil que a CML iria patrocionar. Um ano depois das eleições, as obras avançam a contas gotas e o discurso dos milhões de milhões desapareceu. O que ressalta da sua gestão camarária é a impreparação, o que se tornou uma evidência gritante.

A escolha em 2021 de Carlos Moedas foi cuidadosamente planeada pelo PSD. Natural de Beja 1970), engenheiro civil com um sólido percurso pela banca e empresas de investimentos financeiros internacionais (França, EUA e Espanha) perspectivava grandes negócios. A sua projecção pública ocorreu em 2014 quando foi nomeado comissário europeu responsável pela investigação, inovação e ciência por um governo do PSD.

Das suas intervenções públicas sobre Lisboa, durante a campanha eleitoral de 2021 era fácil perceber que pouco conhecia da cidade e dos seus problemas concretos, tarefa que esperaria delegar noutros.

1. Prometeu distribuir dinheiro pelos municipes: 3% do IRS, redução de 50% no estacionamento automóvel em Lisboa, passes sociais gratuitos para menores de 25 anos ou maiores de 65, seguros de saúde gratuitos, etc. A única coisa que avançou foram os passes sociais gratuitos. Quanto à redução no valor do estacionamento, o que temos visto tem sido justamente o contrário. Quanto a outras promessas distributivas por magia eclipsaram-se.

2. Prometeu aumentar os lugares para estacionamento na cidade de modo a acomodar todos os automóveis que nela circulam e entrassem, anunciando a criação em cada freguesia um silo para automóveis. Alvalade seria a primeira a ser contemplada com um enorme silo junto à Avenida da Igreja, com o qual iria resolver definitivamente os problemas de estacionamento locais. Diz-se que está tudo em estudo. A sua fúria contra as ciclovias, em particular a da Avenida Almirante Reis, desapareceu rapidamente umaa vez eleito. Por vontade própria retirou o tema da agenda camarária.

3. Prometeu criar teatros e centros culturais em cada uma das 24 freguesias da cidade. Não foi preciso chegar a um ano de mandato para mandar tudo às ortigas.

4. Prometeu e criou um "conselho de cidadãos", supostamente representivos dos municipes. A sua ideia é anular a Assembleia Municipal, fazendo o que alegadadamente os municipes do conselho fossem dizendo. Após uma intensa e dilatada propaganda, nem os próprios participantes ficaram convencidos da utilidade deste conselho.

5. Carlos Moedas, o sr. unicórnio, após uma ano à frente da CML revelou afinal a sua grande especialidade: cortar nos investimentos estruturantes na cidade e dar o dito por não dito:

a) Habitação Social. Meses depois de ser eleito já estava a propor cortar nos apoios à habitação social, uma medida emblemática do seu programa eleitoral. O PSD, perante tanto descaramento "chumbou" a medida na Assembleia Municipal.

b) Controlo de Pragas. Entre 1 de Junho e 19 de Agosto de 2022 a CML esqueceu-se de contratar uma empresa para ações de combates a ratos, baratas e percevejos. Choviam os pedidos anti-pragas e nada era feito. A CML "esquecera-se" de prevenir estas situações.

c) Festas. Os eventos festivos deram sempre votos. Um assunto que os autarcas do PSD na cidade de Lisboa são particularmente sensíveis, a julgar pelo que se passa na CML e na Freguesia de Alvalade. Não raro a ansia de os promover contraria a própria lei. Foi o caso da autorização de uma festa na Tapada da Ajuda, dentro do perimetro florestal do Monsanto, numa altura em que era probida a sua realização devido aos fogos florestais que lavravam por todo o país.

A presidência de Carlos Moedas na Câmara Municipal de Lisboa está a revelar-se um desastre. Perante esta situação o Jornal da Praceta, como há mais de vinte anos acontece irá dedicar uma atenção especial a este tipo de personagens.

Reunião Descentralizada Alvalade e Marvila

(21 de Setembro de 2022) 

A reunião descentralizada do dia 21 de Setembro ilustra o conceito de participação política de Carlos Moedas. A reunião tinha como objectivo ouvir os municipes de duas freguesias de Lisboa: Alvalade e Marvila. Como era para os ouvir quase ninguém foi informado da reunião.  Para dificultar ainda mais a assistência, sobretudo para os moradores de Alvalade a reunião teve lugar em Marvila.  Como se tudo isto não bastasse, o número de moradores que puderam intervir foi limitado a 4 de Alvalade e 16 de Marvila. Quando a intervenção não agradava a Carlos Moedas, como ocorreu com a vereadora do PCP, cortou-lhe a palavra e censurou a intervenção. Uns dirão que se tratam manifestações autoritárias, quanto a nós, sem excluirmos esta hipótese, pensamos que o problema também é outro: a impreparação de Carlos Moedas para o cargo que desempenha.