Resultados
Previsíveis?
Desde há meses que a nível local
fazemos o diagnostico exaustivo dos problemas da cidade de
Lisboa, evidenciando inúmeras erros grosseiros na sua gestão. A notável obra realizada no realojamento dos moradores
dos bairros de barracas, não justificava, por exemplo, que fossem
secundarizados graves problemas com que se debatem os
habitantes da cidade. 1. A especulação imobiliária com a
conivência dos serviços camarários. Por todo o lado assiste-se à
construção desenfreado e caótica de novas construções,
sobretudo para escritórios. Enquanto isto acontece os bairros antigos
ou mais recentes são votados ao mais completo abandono. Cresce o
número de casas abandonadas ou em ruína.A única alternativa que resta a
muitos moradores é mudarem de casa para não serem subterrados quando estas
ameaçam desabar. A recuperação dos prédios avança a conta gotas. Os Gabinetes de Reabilitação
tornaram-se em ninhos de parasitas cujo tempo é gasto na promoção da sua
exígua actividade. Em toda a cidade multiplicam-se os sintomas de uma urbe mal
gerida: As ruas e as
lixeiras não são limpas como deviam; os jardins de bairro são abandonados.
Para cúmulo, a poluição sonora e atmosférica atinge,
em algumas zonas, valores que colocam em perigo a saúde pública.
2. Ausência de critérios de
exigência ou de qualidade. A produtividade do serviços camarários
é mínima. A questão da eficácia e da eficiência são conceitos
que nem sequer se colocam. Ao todo são mais de 10 mil funcionários, 6 empresas
municipais e um orçamento de cerca de 150 milhões de contos ( dados de 2001).
Quanto ao número de funcionários camarários estes não
tem parado de aumentar, assim como as empresas que tem vindo a
substituir os serviços camarários no desempenho de muitas das suas funções
básicas. O endividamento do município ultrapassou todos os
valores admissíveis para suportar estes e outros encargos. Basta um
simples contacto com os serviços camarários para nos apercebermos
que a CML, com honrosas excepções, está repleta de dirigentes
incompetentes rodeados de funcionários laxistas que há muito
perderam o habito de trabalhar. Para uns a CML está transformada num segundo
emprego que lhes garantirá um dia a reforma. Para outros, um
excelente local para o desenvolvimento
de negócios privados. As situações de alegada corrupção de
dirigentes e funcionários não tem sido clarificadas,
deixando-se desta forma que entre os habitantes se instale a ideia que
a cidade é controlada por redes de mafiosos que actuam na mais
completa impunidade no interior da CML. 3. O fim dos espaços públicos ao ar
livre. A especulação imobiliária descaracterizou as praças. Os
jardins e os passeios foram evadidos pelos automóveis. O objectivo de
tudo isto parece ter sido apenas o de atirar os lisboetas para dentro
dos centros comerciais, os únicos locais seguros onde lhes é
permitido passearem sem serem atropelados. Desta forma promoveu-se a
destruição do pequeno comércio de bairro e dos hábitos de
convivialidade que alimentavam a vida local. Atomizaram-se as
populações e aumentou-se o desenraizamento dos novos habitantes com todos os
problemas daí decorrentes (violência, vandalismo, etc).
4.O planeamento substituído pelo
improviso. As decisões camarárias parecem fruto do mero improviso ou
ditadas por interesses obscuros. Sentados nos seus gabinetes, afastados das populações, os
dirigentes camarários ouve-se apenas a si próprios e aos seus amigos,
ignoram os moradores e as recomendações dos estudos prévios quando estes
existem. Um dos melhores exemplos deste prática está na promoção de parques de
estacionamentos residenciais, como o da Rua José Lins do Rego. Os moradores
desta Rua demonstraram por diversas vezes que a construção deste parque
não era suportada em nenhum estudo prévio quanto à sua
localização, e que contrariava inclusive as recomendações do Plano Director Municipal e estudos efectuados para a
reabilitação do bairro. Apesar disso, o presidente da Junta de Freguesia
que acaba de perder as eleições, ostensivamente procurou ignorar a opinião dos
moradores, acobertando-se nas posições de um vereador a quem acaba de ser
levantado um processo crime por suspeitas de corrupção. Exemplos como estes
não faltaram nos últimos quatro anos, sem que houvesse uma pronta actuação
para os extricar.
5. Abolição das regras mais
elementares do trânsito. Lisboa é a única cidade europeia onde se
estaciona em cima dos passeios, passadeiras para peões e jardins perante a
indiferença da polícia. É a única cidade do mundo onde a regulação do
tráfego local e respectivo estacionamento está entregue a marginais
e toxicodependentes. O panorama é simplesmente deprimente. Viver em
Lisboa tornou-se, em muitas zonas, um perigo constante. O risco
de se ser atropelado é uma constante. Os carros estão estacionados no
passeio, e os transeuntes com outros automóveis circulam nas ruas.
6. Degradação Urbana e Estética.
Quem conheceu muitas das belíssimas artérias da cidade fica chocado
com a degradação actual. Fechadas descaracterizada por
"marquises envidraçadas", construções clandestinas por
tudo quanto é sítio, mas também lixeiras, automóveis abandonados,
reclamos luminosos em riscos de caírem sobre os transeuntes, etc. Tudo isto perante a complacência e
cumplicidade dos serviços municipais encarregues da fiscalização.
Bairros que foram apontados como modelos de urbanismo moderno, como o
de Alvalade/Campo Grande estão rapidamente a transformarem-se em novos
"bairros de barracas". É chocante a indiferença como o
problema é encarado pelas juntas de freguesia mais directamente envolvidas.
Por tudo isto e muito mais, os
resultados das eleições do passado dia 16 de Dezembro, parecem no
fundo justificar aquilo que sempre dissemos: Era urgente uma mudança.
Carlos Fontes, Lisboa, 2001As Promessas de Santana Lopes*
·Estacionamento: Criar parques de
estacionamento acima do solo, por cada quarteirão de bairro,
prioritariamente para os residentes, recuperando edifícios degradados que
manterão as fachadas.
·Circulação Viária:Abertura de um túnel entre o Marquês
de Pombal e as Amoreiras.
· Desertificação: Repovoamento do centro de Lisboa, através de programas de incentivo à habitação de jovens no centro da cidade e
da colocação no mercado dos andares devolutos, se necessário também com recurso à expropriação.
·Bairros Degrados.Criação imediata de gabinetes nos
bairros degradados, onde o próprio presidente desempenhará funções uma
vez por semana. ·Área Metropolitana: Lutar para que a coordenação global seja
atribuída à CML · Recuperação Urbana:Criação de um fundo imobiliário
para recuperação de zonas históricas, em especial a Baixa pombalina:
Terreiro do Paço: saída dos Ministérios.
· Transportes Públicos:Melhoria na oferta de transportes públicos,
desincentivando o uso de viatura própria.
· Zonas Pedonais. Aumento do número de ruas estritamente
pedonais. · Cargas e Descargas:Revisão do regime de cargas e
descargas, terminando de vez com a actual confusão durante o dia.
· Obras públicas. Planificação das obras públicas na
cidade, de forma a que não se realizem em simultâneo, sem se saber
quando terminam, causando graves prejuízos aos comerciantes destes
locais. · Toxicodependência: Autocarros de saúde irão servir como
postos de prestação de cuidados médicos básicos aos
toxicodependentes, disponibilizando metadona de baixo limiar.
· Toxicodependência: Equipas de ruas estarão em todos os
bairros problemáticos da cidade, fazendo a troca de seringas nos locais
de consumo, aconselhamento da prevenção da sida, combate à
tuberculose e prestando cuidados de enfermagem.
· Segurança.Triplicação do número de efectivos de Polícia
Municipal, que estarão nas ruas., nomeadamente às portas das escolas e
nas saídas dos locais de diversão nocturna.
· Segurança.Promoção da interligação entre as polícias.
Lutar pelo fim dos governos Civis de Lisboa e Porto e a transferência
das suas competências para a CML e CMP.
·Juventude. Promoção de programas permanentes e atractivos
de ocupação dos tempos livres dos jovens, com o objectivo de os
afastar de ambientes propícios à droga e à criminalidade.
· Diversão. Reabilitação do Parque Mayer se necessário
recorrendo à expropriação. Transferência da Feira Popular para
os arredores de Lisboa e construção no local de residências
universitárias.
*Fonte:
Jornal Público de 7 de Janeiro de 2002,para a maioria das entradas.
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