Construção da
Cidadania
O conceito de cidadania é o
resultado de um longo processo histórico e social, em constante modificação.
A Democracia, como a Cidadania não é algo que uma vez implantada se mantenha
eternamente.
Em Portugal, por exemplo, o regime
democrático foi implantado em 1820. Até 1926 foi interrompido por vários
períodos ditatoriais, terminado na mais longa ditadura da história portuguesa
(1926-1974). Este fenómeno ocorreu na generalidade das democracias ocidentais
(França, Alemanha, Itália, Espanha, Austria, etc), o que mostra a necessidade
dos cidadãos defenderem este bem precioso.
Afirmação do conceito de
cidadania.
Entre os séculos XVII e XIX, as diversas revoluções sociais
aboliram as diversas ordens sociais que haviam determinado durante século o estatuto social
dos individuos.
As ordens sociais deram lugar ao conceito de um cidadão universal, livre e igual perante a lei. Este conceito de cidadania é único e não
admite excepções. Os diversos grupos sociais, culturais ou
étnicos que não puderam ser desarticulados e integrados nesta concepção
universalista foram ignorados, marginalizados ou mesmo aniquilados.
Este processo acabou por ser estar
associada à inúmeras barbaridades cometidas por vários Estados contra grupos
éticos ou religiosos que supostamente não se deixavam integrar ou diluir na
sociedade.
Afirmação de grupos
específicos de cidadãos.
Na segunda metade do século XX
começou a surgir um movimento inverso. A forma de aprofundar o conceito de
cidadania passou a ser associada à afirmação da especificidade de vários grupos de
cidadãos, no quadro mais geral dos direitos de cidadania.
As mulheres, mas também várias
minorias (imigrantes, deficientes, ciganos, homossexuais, etc) reclamaram um conjunto
de direitos e tratamentos específicos.
Sem prescindiram do direitos comuns a
todos os cidadãos, exigem outros direitos que visam corrigir injustiças
sociais, acabar com discriminações ou imporem o respeito por certas diferenças
étnicas, culturais, linguísticas, religiosas e outras.
O objectivo comum é libertarem os
individuos dos constrangimentos sociais e do aparelho de Estado, reduzindo este
à sua expressão mínima. Este movimento tem sido acompanhado pela
des-regulamentação social e económico, e a afirmação do individualismo e
egocentrismo.
Exigências da
Cidadania
Ser um cidadão é assumir-se como
pertencente a uma dada comunidade e contribuir, dentro das suas possibilidades,
para a melhoria das condições de vida colectivas.

Não existe Democracia, numa sociedade onde os
cidadãos estejam afastadas da Coisa Pública. Um
dos problemas centrais das nossas sociedades é por isso saber como se pode
organizar a sociedade de modo a potenciar a participação dos cidadãos.
A solidez dos regimes democráticos assenta neste
envolvimento e participação dos cidadãos na resolução dos problemas em
comum. Existem várias teorias sobre o modo como se pode estimular esta
participação:
1. Teoria dos Direitos Sociais. Atribuir direitos
a quem não os tem, estimula a participação cívica.
2. Teoria Conservadora. Os cidadãos devem ser
responsabilizados, devem ser chamados a assumir os seus deveres, com tudo o que
isso implica.
3.Teoria da Sociedade Civil. A família, como as
várias organizações sociais (igreja, clubes, etc), podem e devem desempenhar
um papel activo na formação do cidadãos, nomeadamente na aquisição de
hábitos de participação cívica.
4. Teoria Liberal das Virtudes. A escola,
nas nossas sociedades, é o espaço por excelência da aprendizagem da
cidadania.
Carlos Fontes |