Tarde de Leite e Rosas

Tarde de leite e rosas. Cada aresta
Tinha um rubi tremente:
Fomos ouvir o canto da floresta,
O seu canto de amor, ao sol-poente.

Tu querias sorver os poderosos
Lamentos de saudade e comoção
Que as raízes, dos fundos tenebrosos,
Mandavam, pelo ramo, para o chio.

Opalescera já, o ar. O vento,
Correndo atrás da sombra, murmurou...
Sentiu-se um fechar de asas. Num momento
A floresta cantou.

Em cada ramo um violino havia;
Cada folha vibrava ágil, sonora,
Par'cendo que escondia uma harmonia
Nas sombras das ramagens, a Aurora.

Como a floresta, meu amor, eu tento
Atirar o meu canto para a altura:
Para a fazer cantar, toca-lhe o vento,
Pra me fazer cantar, no pensamento,
Passa o sopro da tua formosura.

João Lúcio

Jornal da Praceta