Regresso

As janelas da casa em que eu nasci

já não sabem quem sou, não me conhecem.

 Há cem outonos de alma que parti:
os longes da paisagem reverdecem.

A um canto, como outrora, o meu espectro,
o meu espectro de criança ainda,
cisma em remos de fadas, tem o ceptro
contra a blusa de linho que o alinda.


Outros espectros vêm meigamente...

Mas só este agora me hipnotiza,

fechado em sua cisma, inconsciente.

E eu, que tinha vontade de beijá-lo,

quedo, gelado: temo até que a brisa

ou que um murmúrio de erva vá acordá-lo.

António Patrício

Jornal na Praceta