Tive um parque cheio de lagos

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Tive um parque cheio de lagos
E de cegonhas brancas, como litúrgicas pratas.
Povoado de aromas vagos,
De murmurâncias de cascatas.
E de figuras de basalto;
Onde, em tanque de ágata, um hidro
De ónix vomitava alto
Uma girândola de vidro;
E onde, soberbos como Núncios.
Com suas caudas de ouro ardente.
Iam pavőes, sob quincúncios

De rododendros, lentamente, lentamente, lentamente.

 

Agora o parque é triste,

cascata calada, os lagos secos:

pelas ruas, por vezes, penas

soltas dos pavões, que se foram 

para outros parques.
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Eugénio de Castro, Horas

 

Jornal Praceta