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VIEIRA, Afonso Lopes (1878-1946).

"VIEIRA, Afonso Lopes (1878-1946) - Foi sobretudo como poeta que se distinguiu este escritor, de formação e tendência fielmente tradicionalistas. Depois da formatura em Direito na Universidade de Coimbra, foi redactor da Câmara dos Deputados da monarquia e ainda durante alguns anos na 1 República.

Dispondo de alguma fortuna por herança, pôde dedicar-se quase em exclusivo à vida literária, de que dera as primícias ainda estudante com o livro de versos Para Quê?, em 1897, muito eivado de pendor decadentista e simbolista da época.

A obra poética que mais o distinguiu na sua geração foi, no entanto, O Poeta Saudade (1901), publicando ainda, entre outros, os livros O Encoberto (1905), Canções do Vento e do Sol (1911), Onde a Terra Se Acaba e o Mar Começa (1940), etc. São de valiosa qualidade lírica, também, os seus livros de poesia para crianças. E, por outro lado, dedicou-se à reactualização de valores que considerava mais representativos da «alma portuguesa», com adaptações em prosa poetizada de O Romance de Amadis (1923) e Diana, de Jorge de Montemor (1924), e com A Campanha Vicentina (1915), que teve importante eco na restituição de Gil Vicente ao grande público teatral. Alberto de Oliveira chegou a designá-lo como um novo Garrett e António Sardinha considerou-o «um preceptor seguro da sensibilidade portuguesa».

Adepto do Integralismo Lusitano, nem por isso deixou de manifestar em várias circunstâncias a sua independência de espírito e de atitude, inclusivamente como discordante activo e desassombrado do salazarismo."

         In, Dic.Ilust.da História de Portugal, Coord. José Costa Pereira

 

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