Jornal da Praceta

Informação sobre a freguesia de Alvalade

(Alvalade, Campo Grande e São João de Brito )

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Urbanismo ou Atentados Urbanos ?

Lisboa. As imagens falam por si sobre a cidade que está a ser construída. 

Sob um ponto de vista estético, para uns trata-se das consequências inevitáveis da entrada na modernidade e o fim da Lisboa "pitoresca" e "rural" herdada da ditadura salazarista. Para outros, o problema é de simples mau gosto e insensibilidade às questões urbanas. Há ainda um grupo que afirma que a questão é de outra natureza, trata-se casos onde se espelha a mais completa submissão dos serviços da Câmara Municipal de Lisboa aos lóbies da construção civil. 

Janeiro de 2016: Abriu-se uma cratera mesmo em frente da entrada da Casa-Museu Rafael Bordalo Pinheiro. As fundações do edifício continuam a dar sinais de terem sido gravemente afectadas pelas obras camarárias.

Museu Rafael Bordalo Pinheiro

 

Durante a 1ª. República (1910-1926), Cruz de Magalhães construiu um magnifico chalé onde reuniu, em oito salas, uma vastíssima colecção de obras de Rafael Bordalo Pinheiro. Mais tarde deu o  edifício e o respectivo espólio à Câmara Municipal de Lisboa.  

Durante décadas o edifício e a sua envolvente  foram cuidadosamente preservados.

Eis senão quando, os serviços da CML começaram a autorizar a construção desenfreada no local.

As fundações do próprio edifício do museu foram seriamente abaladas. Nas paredes exteriores são visíveis as fissuras deste crime cometido pela CML.  

Coroando esta caótica gestão urbanística, o edifício está hoje completamente esmagado pelas construções que o envolvem e por anúncios publicitários. 

 

 

Memórias da Incúria

Reabriu no dia 5 de Outubro de 2005 após ter estado fechado durante seis anos devido à incúria e incompetência dos serviços da CML quando colocaram em perigo as suas fundações.

Durante anos denunciamos a forma criminosa como este magnifico edifício estava a ser destruído.  Perante inúmeras pressões a Câmara  lá resolve reabrir o Museu e fazer algumas obras de restauro e consolidação. 

A notícia que publicamos em 2002, neste Jornal é elucidativa da forma como é gerido do património da cidade de Lisboa confiado à CML.

" O Museu Rafael Bordalo Pinheiro, no Campo Grande em Lisboa, fechado há mais de 3 anos pela CML, apresenta crescentes sinais de ruína. O painel de azulejos colocado na fachada, onde está representado Camões, está em riscos de se desprender a qualquer momento. As janelas em adiantado estado de degradação estão a desconjuntarem-se.

Quem analisar o edifício exteriormente só a custo consegue imaginar que está perante um dos mais interessantes museus da cidade. A casa, guardada por  dois simpáticos cães, mais parece um albergue vagabundos. O seu rico acervo está à mercê de todo o tipo de larápios.

Contactamos com os serviços da CML, encarregues do património. A explicação para estes estado de coisa foi perfeitamente surrealista, o que exige alguma paciência  para a tornar compreensível. Senão veja: 

1. A CML, em 1999. pensou em fazer obras na casa onde o museu se encontra. Os arquitectos camarários projectaram uma remodelação total que desfigurava a própria traça do edifício. A obra avança. Entretanto descobrem que o edifício é classificado, e tinha-lhe  inclusive sido atribuído um prémio - o prémio Valmor.  Perante tudo isto, a CML percebe que não pode fazer as obras que queria, e estas são suspensas.

2. A CML decide então mudar o museu para outro local. Descobre ao fim de muito tempo que a casa e grande parte do seu acervo fora doado pela família Cruz, na condição do Museu ficar naquele local.

3. Em resultado desta trapalhada toda (incompetência e profunda ignorância) as obras continuaram suspensas, tendo-se feito pequenas melhorias no local onde se encontram as reservas. Segundo a previsão de alguns técnicos dos museus dos camarários , o Museu só abrirá as suas portas em 2005... Um escândalo !

A maioria dos funcionários contactados garantem que estas explicações não tem quaisquer fundamento. A situação deve-se não apenas à incúria dos serviços responsáveis pela salvaguarda do património da cidade, mas também à política do actual Presidente da edilidade. As verbas necessárias a este tipo de intervenções foram desviadas para acções de propaganda da sua figura.

Um dado fundamental 

Observando o edifício descobre-se um facto nunca referido pelos funcionários camarários: o edifício apresenta rachas por todo o lado. Algumas das pedras estão mesmo fendidas. Porquê? Olhando para os edifícios  que recentemente ali foram construídos percebe-se logo a razão. - As suas fundações foram escavadas muito abaixo das do museu. Resultado:  os terrenos onde assenta o edifício do museu acabaram por ceder, abrindo fissuras. Algo semelhante já aconteceu em muitos outros edifícios públicos, como  o Palácio Foz, a Escola Superior de Belas Artes em Lisboa, etc.

Quem é o responsável pela derrocada do Museu Rafael Bordalo Pinheiro? A Câmara Municipal de Lisboa que mais uma vez autorizou obras que não devia, contribuindo desta forma para a destruição do património da cidade. "

Directora dos Museus da Câmara Municipal de Lisboa:  Ana Cristina Leite

Não será tempo de se apurarem as suas responsabilidades em todos este processo?

(Esta directora só foi afastada em 2013 )

Campo Grande. 2002

   
 
 

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