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Marquises

Avenida de Roma. Dois prédios com a mesma fachada, um com marquises (branco) e outro livre delas (verde). Veja a enorme diferença.

As marquises desfiguraram completamente o Bairro das
Estacas, uma das mais excelentes obras urbanísticas e arquitetónicas de
Portugal. O bairro começou a ser construído em 1952, com base num projecto dos
arquitetos Ruy Jervis d`Athouguia e Sebastião Formosinho Sanchez. Foi premiado
na Bienal de São Paulo em 1954, recebendo também o prémio municipal nesse ano.
A
cidade de Lisboa está completamente desfigurada pelas marquises ou barracas que
adornam as fachadas ou telhados dos edifícios. Excelentes
obras de arquitectura são diariamente vandalizados perante a inércia de
uma Câmara Municipal cuja única razão para existir é o
pagamento dos ordenados dos seus dirigentes e funcionários.
Os
muitos milhares de turistas que visitam diariamente a cidade, podem comprovam
que Lisboa tem mais semelhanças com um bairro degradado da cidade do Cairo
(Egipto), do que com qualquer capital europeia.
Não
choca por isso algumas não-notícias: Moradores do Campo Grande manifestam-se
publicamente contra a destruição das fachadas dos edifícios de Lisboa.
Reclamam o fim da transformação das varandas em "galinheiros". Face
à indiferença da CML perante a degradação urbanística em curso, estes
moradores levaram o caso a tribunal. É caso para perguntar: - para que serve
esta câmara?
Mais
..

Há sempre alguém que resiste ao degradação
arquitectónica das fachadas pelas marquises, como acontece neste edifício na
Avenida dos EUA. Esta avenida foi concebia em 1941 como uma circunvalação da
cidade de Lisboa. A sua divisão em lotes data de 1951, com edifícios
perpendiculares à via e com logradouros ao longo do lado norte. Os magníficos
edifícios no cruzamento com a Avenida de Roma, foram concebidos por Filipe
Figueiredo e Jorge Segurado, sendo concluídos em 1953. Excelentes arquitectos
trabalharam na concepção dos edifícios desta avenida, os quais apresentam
atualmente um aspecto irreconhecível.
Janelas Floridas em Alvalade
A
moda de fechar as varandas com marquises nos anos 80 do século XX, quase
destruiu por completo o gosto de decorar com flores as amplas varandas do
Bairro de Alvalade. Mas, como em tudo, há sempre alguém que resiste e
persiste em manter viva a tradição em Alvalade.

Foto: Rua Afonso Lopes Vieira.

Foto: Avenida da
Igreja

Foto: Avenida do Brasil
Manuel Salgado, um "iluminado"?
Entrou para a CML em 2007 pela mão de António Costa,
que lhe deu a vice-presidência e toda a área do urbanismo. A sua nomeação foi
saudada por muitos, o Jornal da Praceta rasgou-lhe enormes elogios. Não tardou
um ano já estava envolvido nas teias das máfias da negociatas que dominam a CML,
como neste jornal na altura o demonstrou.
António Costa, após as eleições de 2009 ganhas pelo
PS, confiou-lhe apenas o pelouro do urbanismo, ficando Marcos Perestrello com a
vice-presidência, mas quando este renunciou ao cargo, de novo o mesmo foi dado
a Manuel Salgado a vice-presidência.
Após as eleições de 2013, a vice-presidência foi
dada por António Costa a Fernando Medina. Quando Costa saiu da Câmara, Fernando
Medina assumiu a presidência e deu a vice-presidência a Duarte Cordeiro, e
confiou a Manuel Salgado o pelouro do Urbanismo e Planeamento Estratégico, o que
não é pouco.
Manuel Salgado, como desde 2008 demonstramos,
sofre do mal da esmagadora maioria dos "urbanistas" que trabalham para a CML:
Lisboa está reduzia a uma folha de papel sobre a qual traçam uma cidade
imaginária, construída com base em concepções ideológicas e nos pareceres
de técnicos que nunca foram aos locais, mas que são sempre devidamente aconselhados por
quem conhece. Com o tempo acabam por se distanciar de tal modo do
real, que imaginam que a única cidade que existe é a que riscaram no papel.
Mais
Urbanismo
ou Atentados Urbanos?
O "bairro de Alvalade" obra de uma ditadura
foi e é uma referência mundial de um urbanismo integrado e integrador dos vários
grupos sociais. Os espaços públicos foram valorizados, disseminaram-se as
praças, as pracetas, os pequenos jardins e os amplos passeios. As varandas
nos edifícios permitiam e suscitavam a comunicação.
O paradoxo disto tudo ocorreu em 1974 com a
implantação do regime democrático. Os espaços públicos em vez de serem
valorizados foram criminosamente abandonados: praças, jardins, passeios,
equipamentos municipais, etc. As varandas, um dos símbolos de Alvalade
foram fechadas com marquises, com o único objectivo de acumularem lixo e
cortarem a comunicação com o espaço público.
A CML permitiu a construção avulso de construções
que destruíram a relação das pessoas com o bairro. Por todo o lado, passaram a
proliferar barracas, anexos e construções clandestinas. Avenidas que em tempos
eram consideradas das mais bonitas de Portugal estão hoje transformadas em
verdadeiros atentados urbanos. Os políticos e dirigentes camarários pela
sua incompetência, depois de 1974, tornaram-se desta forma inimigos do própria
democracia ao atentarem contra o espaço público.
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